[ broken heart hotel ]

* room 49 *

um corpo estendido em cima da cama semi-desfeita. as cortinas fechadas, a deixar passar apenas uma réstia de sol junto ao chão. a televisão ligada num canal qualquer, sem som. o telefone fora do descanso. o silêncio rasgado por trinados de pássaros no beiral da varanda. cabelos espalhados ao lado do corpo. o corpo nú. um braço estendido ao longo do tronco, o outro lançado para fora da cama. no chão uma carta.

o nosso tempo acabou. fechou-se como se fecham as portas das casas de campo. reabrir-se-ão depois, quem sabe. por ora ficam fechadas. a casa ganhará pó, teias de aranha pelas paredes e pelo tecto. cheiro a mofo por falta de ar a correr-lhe por dentro. mas é assim. acaba-se a época e tranca-se tudo. não penses mais. vive. faz do acto de inspirar e expirar a tua prioridade. não esperes por mim à janela. não me procures por entre os vincos dos lençóis. eu não vou estar lá. se tiver que regressar, regressarei. não porque me peças. antes porque terei entendido que te amo mais do que tudo. e isso bastar-me-á para que nunca mais me afaste. por agora, vive. sem mim. aprende a viver sem mim. depois talvez consigas viver comigo.

ela dorme. secou as lágrimas no rosto e dorme tranquila. abrirá janelas e portas. sairá dali. inspirará. expirará. e verá que, acima de todas as nuvens que lhe toldam o olhar, há um sol que brilha. deixará de contar minutos. e talvez um dia se surpreenda com uma campainha que toque quando ela menos espera...

2 comentários:

sahara 19 julho, 2005 17:23  

estou a perder palavras para te arranjar elogios.

arrepio na pele, é o que a tua escrita me provoca. e para mim isso é muito bom sinal :)

adorei para (não) variar.

bj*

Jolie 19 julho, 2005 18:46  

um beijinho...

Sandra